| NOTÍCIAS DA DEFESA DA VIDA 18/03/2005 Células-Tronco 1-
‘Ciência sem ética e prudência é violência’, afirma
Eliane Azevedo - Brasil 2-
Painel do Leitor - Folha de S. Paulo, sábado, 5 de março de
2005 - Brasil 4-
Testes mostram segurança de células-tronco adultas -
Brasil
Aborto 6- Católicos podem dificultar reeleição do Presidente Lula se facilitar o aborto - Brasil
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1-
‘Ciência sem ética e prudência é violência’, afirma
Eliane Azevedo A
geneticista, ex-reitora da UFBA e professora da Universidade
Estadual de Feira de Santana alerta para os riscos do uso
imprudente da ciência Ao
falar em genoma, células-tronco e clonagem, a médica
geneticista Eliane Elisa de
Souza e Azevedo usa
simultaneamente conceitos como dignidade, ética e
direitos humanos. Mais
que simples retórica, as expressões expressam a diretriz
do trabalho desta cientista baiana, natural de Tanquinho
(BA), que completa 69 anos exatamente hoje. Por
essa firmeza, integra a Comissão
Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e há cerca de 40
dias passou a representar a Conep na Comissão de Uso e
Acesso ao Genoma. Professora
da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde coordena
o Centro de Estudos e Pesquisas, a ex-reitora da
Universidade Federal da Bahia (UFBA) tem relevante produção
científica, como o livro ‘O
direito de vir a ser após o nascimento’, em que
reflete sobre como o potencial desenvolvimento de um indivíduo
se choca com problemas sociais, como fome e desnutrição. Eis
a entrevista: -
A senhora já integra a Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa e agora foi indicada para Comissão sobre Acesso e
Uso do Genoma Humano, ambas no Ministério da Saúde. O que
são essas comissões? -
A Comissão Nacional de Ética
em Pesquisa (Conep) é o centro de um sistema de cerca
de 400 outras comissões denominadas comitês de Ética em
Pesquisa (CEPs) existentes em todo o território nacional.
Esse conjunto de comissões constitui o sistema Conep-CEP,
cuja finalidade é avaliar aqui no Brasil os aspectos éticos
das pesquisas feitas em seres humanos, no sentido de
proteger as pessoas pesquisadas, impedindo que haja abuso.
Esse sistema funciona no Brasil desde 1996. Toda pessoa,
seja paciente ou não, que seja incluída em qualquer tipo
de pesquisa, deverá perguntar ao pesquisador se a sua
pesquisa já foi aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa. Dessa forma, a pessoa estará mais protegida
contra exageradas promessas de benefícios e reais riscos de
malefícios. -
E a comissão sobre acesso e uso do genoma humano? -
Ela é composta por representantes de vários órgãos da área
da saúde e da área jurídica. Nela, sou a representante da
Conep. O trabalho desta comissão é mostrar caminhos para proteger
os direitos da pessoa humana em relação ao uso de
resultados de análise de seu genoma. Isso porque o DNA de
cada um de nós contém informações em relação à saúde:
informações que podem ser usadas contra a própria pessoa,
criando estigmas, preconceitos, dificuldade de emprego, de
seguro saúde etc. -
Que mecanismos norteiam a ética da pesquisa de uso do
genoma com seres humanos no Brasil? -
Existem princípios gerais contidos nas declarações
universais, como a Declaração Universal sobre o Genoma
Humano e os Direitos Humanos, da Unesco, editada em 1997,
assim como existem diretrizes brasileiras como a Resolução
340/04, da Comissão Nacional de Saúde, que estabelece as normas
éticas para a pesquisa em genética humana. Esses são
os principais documentos norteadores, embora existam outros
que direta ou indiretamente estão relacionados à questão
ética do genoma humano. A inspiração de todos esses
documentos é a preservação da dignidade humana frente
aos avanços da ciência e da tecnologia. Todos desejam
a ciência para servir às pessoas, e não ao contrário.
A ciência na área médica, na biologia, na genética em
especial, avançou de tal forma que, se não posta em
prática sem os devidos cuidados éticos, sem ter em mente a
proteção da dignidade humana, poderá ser mais uma ameaça
que um benefício. -
A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e/ou os Comitês
de Ética em Pesquisa podem impedir
oficialmente uma pesquisa em qualquer instituição pública
ou privada? -
A Conep e os CEPs avaliam os projetos de pesquisa com o
olhar da ética, buscando proteger as pessoas pesquisadas.
Essas avaliações são sempre feitas por grupos de pessoas
e as decisões também são tomadas em grupos. Após cada
avaliação a pesquisa será aprovada, posta com pendências
ou não aprovada. É muito freqüente a pesquisa ser posta
com pendências. Isso é, existem pontos éticos que o
pesquisador (a) precisa esclarecer ou alterar em seu
projeto. O pesquisador (a) tem 60 dias para proceder essas
alterações e reenviar o projeto para a segunda avaliação.
Se houver atendimento satisfatório, o projeto será
aprovado. Uma vez aprovado, o pesquisador (a) deverá enviar
ao CEP relatórios anuais de sua pesquisa e também um relatório
final. Esses relatórios são avaliados pelo CEP a fim de
verificar se no desenvolver da pesquisa houve realmente
proteção às pessoas pesquisadas. Considerando que a
Conep-CEP tem papel educador, raramente uma pesquisa é
reprovada. Sempre se procura questionar o pesquisador (a) no
sentido de que ele (a) perceba os desvios éticos de sua
pesquisa e a reajuste. Isso é comum. A grande maioria dos
pesquisadores demonstra-se agradecida ao cuidadoso trabalho
de revisão feito pelos membros dos CEPs, pois as modificações
sugeridas sempre melhoram a qualidade da pesquisa. -
Mas um pesquisador pode levar adiante um trabalho reprovado
por desrespeitar princípios éticos? -
Quando um projeto não é aprovado, mesmo que o pesquisador
(a) faça de qualquer forma, ele ou ela terá dificuldade em
publicar essa pesquisa e até mesmo de apresentar os
resultados em congressos científicos de boa qualidade. Isso
porque, tanto as boas revistas científicas quantos os bons
congressos estão, no mundo todo, exigindo dos
pesquisadores a comprovação de que sua pesquisa foi
aprovada por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). -
Quais são os riscos e benefícios para a humanidade na
realização de clonagem reprodutiva humana? -
Não existem benefícios advindos da clonagem humana. Do
ponto de vista ético é moralmente inaceitável; do ponto
de vista científico, um desastre biológico com evidentes
comprometimentos à saúde. -
E a clonagem humana para fins terapêuticos? -
Também não tem sentido ético. Não existem
justificativas morais para criar uma vida humana com a
finalidade de sacrificá-la para ser transformada em remédio.
O respeito à vida humana não pode admitir exceções.
Correremos o risco de perder os limites da dignidade e da
proteção a cada ser humano como membro da espécie. E
como espécie humana, somos uma unidade. Não importa por
quem os sinos dobram, é um de nós que se vai... -
Qual sua opinião sobre a forma como foi aprovada a pesquisa
do uso de células-tronco? Em
segundo lugar, faltou a percepção antropológica do
valor da vida. Confundiu-se o direito laico de defesa
da vida humana com radicalismo confessional e partiu-se para
o confronto entre religião e ciência, tentando
depreciar a primeira. Não perceberam que não
existem povos sem fundamentos morais em relação à vida e
nem culturas sem religiosidade. Em qualquer sociedade, as
religiões estão intrínsecas à história dos povos. Ciência
e religião foram e continuaram sendo pilares fundamentais
na história da humanidade. Repetir erros medievais e
buscar o confronto é inaceitável à ciência moderna.
Assim como é inaceitável à ciência moderna a
dissimulação por re-definições (montinho de células;
início da vida aos 14 dias etc.). Finalmente, fica a
dúvida se, em verdade, ocorreu uma aprovação
moralmente consciente. Como geneticista, estou
convencida de que a vida individual de cada um de nós é
biologicamente iniciada no momento da fertilização. A partir
deste momento nada se acrescenta e nada se retira de informação
genética (genoma). Ao morrer, mesmo se de extrema
velhice, ainda teremos o mesmo genoma que adquirimos no
momento da fertilização. -
Os testes com seres humanos, relativos a células-troncos
embrionárias, ainda são perigosos. Como resolver
essa questão sem ferir a integridade humana e o
progresso da pesquisa -
Não podemos atropelar a dignidade humana em nome do
progresso da ciência. Infelizmente, muitas
crueldades já foram cometidas em nome da ciência, não
apenas nas experiências nazistas e japonesas em épocas de
guerra, mas também em tempo de paz nos EUA em
passado recente. O reconhecimento internacional de que as
pesquisas com seres humanos devem ser, antecipadamente,
avaliadas e aprovadas por Comitês de Ética em Pesquisa não
aconteceu sem justas razões. Por trás de muitas
pesquisas existem bilionários interesses de mercado. Nada
disso é segredo. As denúncias, os livros, os
artigos, estão aí para quem quiser ler. Neste momento
em que respondo a esta entrevista, vejo em minha estante Cobaias
humanas, de Andrew Golizek, e Trevas do ElDorado de Patrick
Tierney, ambos já publicados em português. A mensagem é:
ciência sem ética e prudência é violência. (Correio
da Bahia, 12/3)
2-
Painel do Leitor - Folha de S. Paulo, sábado, 5 de março
de 2005 4-
Testes mostram segurança de células-tronco Uma
revisão sobre as pesquisas com células-tronco maduras (não-embrionárias)
para o tratamento do coração publicada pelo jornal "The
New York Times" mostrou que, dos 10 testes com
pacientes realizados em todo o mundo, nove tiveram
resultados positivos. Porém, cientistas e médicos destacam
que as pesquisas ainda estão no início e há dúvidas a
responder antes que essas terapias possam se tornar rotina
em hospitais.
5-
Lei
de Biossegurança reduz vida humana a objeto ou a
mercadoria; diz cardeal 6- Católicos podem dificultar reeleição do Presidente Lula se facilitar o aborto RIO DE JANEIRO, 14 Mar. 05 (ACI) .- Os católicos brasileiros podem opor-se a uma provável reeleição do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se este autorizar à rede pública de saúde ampliar a realização de abortos, assegurou hoje um membro do Episcopado.<? O presidente da Comissão Episcopal Vida e Família e Bispo de Nova Friburgo, Dom Rafael Llano Cifuentes, manifestou sua grave preocupação porque em breve o Poder Executivo possa facilitar mais os abortos no país. Os brasileiros esperam eleger a um novo presidente em outubro de 2006 e a atual legislação permite ao mandatário disputar um segundo e último mandato consecutivo. Segundo o presidente do Senado, Renan Calheiros, o presidente Lula manifestou ontem que procurará o apoio de outras forças políticas para fazer que o Partido dos Trabalhadores, que lidera, mantenha-se no poder. Dom Llano Cifuentes indicou que, Lula ficou preocupado depois da conversação e lhe assegurou que se opõe ao aborto . Entretanto, o Bispo indicou que o presidente é, ao menos, incoerente, já que a semana passada o Ministério de Saúde decidiu que será mais flexível com as mulheres que queiram abortar. Até no domingo passado no Brasil, as futuras mães só podiam solicitar o aborto se representava um sério risco de vida para a mãe ou se antes justificavam ante as autoridades policiais ter sido vítimas de estupro. Atualmente, já não é necessário provar diante da lei que realmente houve tal violação, bastando a declaração da suposta vítima. Já que a lei nacional proibe o aborto, exceto quando a gestante corra risco de morte, o caso de estupro supõe uma brecha legal, por isso o governo decidiu anunciar uma mudança na legislação.
7-
Argentina:
Bispos pedem não aprovação de um protocolo que imporia o
aborto
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