
NOTÍCIAS DA DEFESA DA VIDA
16/06/2006
Eutanásia
1-
Duvidosa «liberdade» do paciente
terminal que pede a eutanásia,
adverte especialista - Itália
Suicídio
2- Parlamento aprova lei para combater a onda de suicídios no Japão
3- Suicídio é resultado de limbo em Guantánamo, diz NYT - EUA
Células-Tronco
4- O Lobby das Células-Tronco Embrionárias - Espanha
5- Gene pode ajudar a criar célula-tronco sem embrião - Escócia
6-
Vaticano deplora o abandono italiano
da declaração ética sobre pesquisa
com embriões
7- Impulso em Nova Jersey para a
pesquisa em células-tronco adultas
nos hospitais católicos - EUA
Tortura
8- A história da tortura - Brasil
Aborto
9-
Estudioso de renome mundial
demonstra que o feto experimenta dor
- Itália
*****
Zenit, 14 de junho de 2006
1- Duvidosa «liberdade» do
paciente terminal que pede a
eutanásia, adverte especialista
Comentário do Dr. Carlo
Bellieni
SIENA, quarta-feira, 14 de junho de
2006 (ZENIT.org).- Associada a seu
padecimento, a depressão pela que
podem passar muitos doentes
terminais afeta a vontade, pelo que
semeia dúvidas quanto à «liberdade»
com que pedem eventualmente a
eutanásia, alerta o Dr. Carlo
Bellieni.
O especialista - neonatologista da
Unidade de Terapia Intensiva
Neonatal da Policlínica
Universitária «Le Scotte», de Siena
(Itália) - compartilhou sua
advertência em seu artigo «Dados em
mãos, a depressão é o verdadeiro
inimigo dos doentes terminais»,
publicado nas páginas de «Avvenire»,
no último dia 18 de maio.
Cita «um recente estudo sobre
doentes terminais oncológicos ("Journal
of Clinical Oncology" de 2005)» que
«mostra um dado interessante: os
pacientes que sofriam também uma
síndrome depressiva associada à dor
mostravam probabilidades quatro
vezes superiores de pedir a
eutanásia».
Um dado confirmado já por outros
trabalhos: «O "Journal of the
American Medical Association", em
2000, mostrava que 10% dos doentes
terminais pedem a eutanásia
sobretudo por depressão ou dor; que
se sentir "estimados" é um fator que
faz evitar pedi-la; e que a metade
das pessoas que haviam pedido a
eutanásia mudava logo de idéia»,
escreve.
O médico italiano dá voz de alarme
sobre o «socialmente perigoso» que
pode ser «permitir a morte, sabendo
que em muitos casos bastaria mudar
certas condições para fazer aceitar
novamente a vida».
«Do pedido de morrer se pode voltar
atrás, da morte não», recorda.
Contudo, «um grupo de pesquisadores
irlandeses em 2002 escrevia que
"eram comuns sintomas de depressão
no grupo que pedia a eutanásia, mas
só poucos estavam em tratamento"»,
algo «grave - diz o Dr. Bellieni -
porque, concluíam, "um
reconhecimento e tratamento da
depressão pode melhorar a vida nos
pacientes terminais e diminuir o
pedido de morrer».
Em sua opinião, ainda que pareça
«óbvio dizer que quem está deprimido
pede para morrer mais do que os
outros, isso no entanto desmonta um
dos pilares de quem agita a bandeira
da eutanásia como opção livre e
autônoma».
«A depressão é uma doença que
justamente "deprime" a vontade, faz
ver tudo preto, torna escravos do
peso da vida», alerta o médico.
«Como pensar que quem sofre desse
mal toma uma decisão "livre" sobre
semelhante argumento?», interroga.
Os estudos citados apontam que «quem
quer morrer, em grande parte não o
faz porque decide lucidamente, mas
porque tem uma doença da vontade, e
às vezes nem sequer tratada como se
deve». «Isso é verdadeiramente
grave», denuncia o Dr. Bellieni.
«E se basta talvez se sentir
"estimados" para não pedir mais a
morte, não seria mais sábio e mais
humano tratar a depressão e voltar a
dar esperança, companhia e apreço,
ao invés de secundar desejos
autodestrutivos?», convida.
ZP06061405
15/06/2006 - 09h55
2- Parlamento aprova lei
para combater a onda de suicídios no
Japão
Juan Antonio Sanz
Tóquio, 15 jun (EFE).- O Parlamento
japonês aprovou hoje uma lei básica
para enfrentar a onda de suicídios
que faz do Japão o país com a maior
taxa deste tipo de morte no mundo
industrializado.
A Lei, apresentada por um grupo de
juristas que buscam medidas de
prevenção dos suicídios, foi
aprovada nesta quinta-feira pelo
Senado. Assim como na Câmara Baixa
do Parlamento, ela teve o apoio
unânime dos legisladores.
Esta normativa demonstra o alarme
social criado no Japão após o
aumento vertiginoso de determinados
tipos de suicídios, como os chamados
"pactos de morte" pela internet, em
que várias pessoas planejam uma
morte conjunta.
Em seus principais artigos, a norma
pede aos Governos locais que
trabalhem lado a lado com o Estado,
para aplicar as medidas preventivas
necessárias no sistema educativo,
nos postos de trabalho e em outros
setores da sociedade japonesa.
Além disso, a regra demanda a
realização de mais pesquisas e
estudos sobre a prevenção dos
suicídios, além do aumento de
escritórios de atendimento médico e
psicológico.
A lei promove assistência aos
sobreviventes e aos parentes de
pessoas que se suicidaram.
O texto aprovado pede ao Governo que
formule uma política de prevenção e
apresente um relatório anual sobre
suicídios ao Parlamento. A norma
solicita também a criação de um
gabinete governamental encabeçado
por um ministro porta-voz, que
aplique e supervisione as medidas
propostas pela nova Lei.
Em dezembro de 2005, o Executivo do
Japão fixou uma série de medidas
para acabar com a onda de suicídios
desencadeada no país nos últimos
tempos. O objetivo era reduzir o
número atual, superior a 30 mil
casos anuais, para 25 mil ou menos
em uma década.
A Organização Mundial da Saúde (OMS)
indicou que o Japão é o país com o
maior número de suicídios por ano,
com 24,1 casos para cada 100 mil
pessoas.
Só em 2005, 32.552 pessoas se
suicidaram no país, 0,7% a mais que
em 2004.
As razões são muito variadas: desde
o assédio nas escolas e
universidades, dificuldades para
encontrar trabalho, pressão de uma
sociedade rígida em muitas
convenções sociais, até o sentimento
de inutilidade de muitos
aposentados.
Neste sentido, a maior parte dos
suicídios no Japão corresponde a
pessoas que não são jovens.
Segundo as estatísticas
governamentais, 70% dos suicídios de
2005 foram realizados por homens e
mais da metade eram indivíduos com
mais de 50 anos.
No entanto, este tipo de morte
aumentou 9,8% em 2005 entre os
estudantes, totalizando 861, sendo
433 universitários, sete estudantes
do ensino fundamental e 281 do
ensino médio.
Além disso, os casos de morte
planejados via internet subiram nos
últimos anos. Estes suicídios
costumam ser em grupo e o meio mais
utilizado é a asfixia por inalação
de gases tóxicos.
Os suicidas se conhecem na internet,
se reúnem, alugam um automóvel,
fecham suas portas e janelas em um
campo aberto, e, após se acomodarem
em seus assentos, acendem vários
cigarros para que a inalação de
monóxido de carbono seja letal.
Em 2005, os "pactos de morte"
dispararam no Japão, com 91 mortos
em 34 suicídios coletivos.
Dos 91 que se mataram, 54 eram
homens e 37 mulheres. Entre eles, 71
pessoas tinham entre 20 e 40 anos.
Segundo fontes policiais, todos os
encontros foram combinados pela
internet.
Com isso, o número de suicídios
coletivos combinados pela rede
triplica em relação à 2003, quando o
departamento de estatísticas da
Polícia japonesa começou a catalogar
esses dados.
Atualmente, muitas companhias de
internet fornecem informação à
Policia sobre as mensagens de
potenciais suicidas.
Embora as autoridades planejam
fechar essas páginas, seus
promotores argumentam que sua ajuda
é imprescindível para o crescente
número de pessoas que sofrem de
solidão no Japão.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2006/06/15/ult1808u66871.jhtm
3- Suicídio é resultado de limbo em Guantánamo, diz NYT
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/06/060612_pressreviewbg.shtml
O jornal americano New York Times, afirma que "a notícia de que três prisioneiros em Guantánamo se enforcaram não surpreende a ninguém que prestou o mínimo de atenção à história distorcida do local que o presidente Bush construiu para determinadas pessoas detidas no Afeganistão e em operações antiterror".
De acordo com o jornal, o suicídio dos três prisioneiros "foi o resultado inevitável da criação de um limbo de desespero situado fora das leis das sociedades civilizadas, onde homens são detidos sem quaisquer esperanças de receber um tratamento digno, justiça imparcial ou, em alguns casos, até mesmo de ser libertados".
O New York Times afirma que detidos em Guantánamo "sofrem abusos, são humilhados e algumas vezes, torturados. Seguramente alguns são perigosos, dedicados a uma vida de terrorismo e merecedores de penas severas”.
“Mas”, continua o jornal, “apenas dez entre os cerca de 465 prisioneiros foram acusados por crimes. Os demais, segundo oficiais que prestaram serviço no local, eram soldados rasos do Talebã ou apenas pessoas que viviam em um país invadido pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro".
4- O Lobby das Células-Tronco Embrionárias
Excelente artigo, da prof.a Natalia López Moratalla, do Departamento de Bioquimica da Universidade de Navarra, publicado no n. 58 da revista espanhola Cuadernos de Bioética, sobre o lobby das CTE (celulas-tronco embrionarias) e as fraudes relacionadas à clonagem humana. O texto está em castelhano e o vocabulario tecnico dificulta um pouco a compreensão. O artigo pode ser encontrado no seguinte endereço: http://www.aebioetica.org/rtf/09-BIOETICA-58.pdf
Terra Notícias
Quarta, 14 de junho de 2006, 15h53 Atualizada às 18h49
Genética
5- Gene pode ajudar a criar célula-tronco sem embrião
Um gene batizado como Nanog, em homenagem à mítica terra celta da juventude eterna, pode ajudar a explicar como reprogramar células adultas para que elas se transformem em células-tronco embrionárias e tratem doenças, afirmaram pesquisadores na quarta-feira. Eles descobriram que o gene ajudou a transformar células adultas de camundongo em células-tronco embrionárias depois de uma fusão celular em que duas células são combinadas, formando um híbrido.
"O efeito do Nanog é extraordinário. Todas as células híbridas transformaram-se totalmente em células-tronco embrionárias", disse José Silva, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que relatou as conclusões do estudo na revista Nature. As células-tronco são as células mestras do corpo. Os cientistas acreditam que elas podem funcionar como uma espécie de sistema de recuperação do corpo, oferecendo novas terapias para doenças que vão desde a diabete até o mal de Parkinson.
As células-tronco embrionárias, presentes nas primeiras etapas do desenvolvimento do embrião, têm o potencial de dar origem a qualquer tipo de célula ou tecido. As células-tronco adultas, que existem no corpo, têm um alcance bem mais limitado. A conversão das células-tronco adultas em células-tronco embrionárias eliminaria o uso dos embriões, que cria grandes empecilhos éticos para os pesquisadores.
O professor Austin Smith, que chefiou a pesquisa, disse que o Nanog não é o único gene envolvido na reprogramação. Pode haver vários deles implicados no processo. Ele acredita que a descoberta do Nanog, batizado em homenagem à terra de Tir nan Og, da mitologia celta, acelere a identificação dos outros genes.
"Prevemos que as pessoas vão encontrar os outros genes, talvez bem rápido", disse ele numa entrevista. Peter Mountford, da empresa de biotecnologia Stem Cell Science, dona da tecnologia utilizada na pesquisa, disse que o estudo mostra que o Nanog pode ter um papel determinante nas pesquisas com células-tronco.
"Ele representa um grande passo na direção da reprogramação de células-tronco adultas, sem a necessidade de criar embriões humanos", disse ele num comunicado. Os cientistas fundiram células-tronco embrionárias de camundongos com células cerebrais adultas. A adição do Nanog aumentou o número de células híbridas, e todas elas agiram como células-tronco embrionárias. As células híbridas também demonstraram a capacidade de formar vários tipos diferentes de células.
Smith espera que no futuro os cientistas consigam expor as células-tronco adultas ao Nanog e a outros genes, reprogramando-as para o estado embrionário sem precisar usar a fusão celular ou a transferência nuclear, a técnica usada para criar a ovelha Dolly. "O importante nesta pesquisa é que ela nos oferece o primeiro vislumbre de que isso possa ser possível, e que se trata de um fenômeno que teremos que compreender e explicar nas próximas tentativas", acrescentou ele.
Reuters
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1042344-EI296,00.html
6- Vaticano
deplora o abandono italiano da
declaração ética sobre pesquisa com
embriões
Jornal da Santa Sé constata «uma
laicidade mal-entendida»
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 15
de junho de 2006 (ZENIT.org).-
O jornal da Santa Sé manifestou sua
preocupação ao constatar que o
governo decidiu retirar a adesão à
declaração com a qual a Itália, a
França, a Polônia e a Eslováquia
haviam bloqueado o financiamento da
União Européia para a pesquisa com
células-tronco por meio do cultivo
de embriões humanos.
A decisão do governo vai contra os
resultados de um referendum sobre a
lei de fecundação assistida, que se
havia celebrado em junho do ano
passado.
Segundo o diário vaticano, a decisão
do governo italiano constitui uma
«intrusão indevida no âmbito dos
valores que não são negociáveis».
«L’Osservatore Romano», no artigo
publicado na edição italiana
cotidiana desta quinta-feira,
considera que o novo governo de
Romano Prodi está caracterizando-se
por «decisões que sistematicamente
vão na direção de uma laicidade
mal-entendida».
Esta laicidade, considera, surge da
«preocupação por tranqüilizar os
membros mais radicais da maioria»,
mas «acaba por levar o país a
parodiar grotescamente experiências
de outros países, traindo a
identidade mais profunda da Itália e
a própria vontade expressada pelos
eleitores».
ZP06061505
Zenit, 1 de junho de 2006
7- Estados Unidos: Impulso
em Nova Jersey para a pesquisa em
células-tronco adultas nos hospitais
católicos
NOVA JERSEY, quinta-feira,
1 de junho de 2006 (ZENIT.org).- Os
hospitais católicos de Nova Jersey
(Estados Unidos) promoverão a
pesquisa em células-tronco adultas,
prática que respeita a vida humana.
O dicastério missionário, por meio
de seu organismo informativo «Fides»,
encarregou-se de difundir a
iniciativa.
Legisladores que apóiam a pesquisa
com células-tronco embrionárias e
representantes da comunidade
católica local se uniram para
promover a pesquisa com
células-tronco adultas nos quinze
hospitais católicos do estado.
Estes hospitais se comprometem a
fomentar as doações do sangue
procedente do cordão umbilical e da
placenta a um dos dois bancos de
sangue do estado.
Tanto o cordão umbilical como a
placenta contêm só células mãe
adultas; não as embrionárias, cujo
emprego na investigação é rejeitado
pela Igreja.
«Os princípios morais de nossa
tradição de saúde pedem que animemos
essa doação», comentou Joseph W.
Kukura, presidente de «Catholic
Health Care Partnership» de Nova
Jersey.
William Bolan, diretor da oficina da
Conferência Episcopal Católica de
Nova Jersey, que representa os
bispos do estado, recordou que nesse
território residem 3,6 milhões de
católicos.
Preparam uma campanha de informação;
toda paróquia receberá um folheto
explicativo para incluir no boletim
semanal que se distribui cada
domingo.
A Conferência Episcopal Católica de
Nova Jersey (www.njcathconf.com)
está formada pelas circunscrições de
rito latino de Newark, Camden,
Metuchen, Paterson e Trenton, pela
eparquia católica bizantina de
Passai e pela diocese siro-católica
de Our Lady of Deliverance.
ZP06060105
8- A história da tortura
Texto extraído do Jus Navigandi
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8505
Daniza Maria Haye Biazevic
promotora de Justiça em Bom Despacho
(MG), pós-graduada em Direito
Processual Penal pela Escola
Paulista de Magistratura
A história relata muitos momentos em que a prática de violências tornou-se rotina. São guerras, civis ou militares, ou simples desordens sociais decorrentes de motivos múltiplos. São instantes em que a força prevalece sobre a razão, de forma oficializada ou não. E o único ponto que aparece como comum em todas essas situações é a desumanização da humanidade.
A prática dos tormentos quase sempre esteve ligada ao próprio sistema penal vigente na sociedade, qualquer que seja ela, e a legislação de um povo deve ser encarada como um reflexo dos conceitos e valores do mesmo.
Sob o aspecto processual, historicamente, a tortura se apresentou como um instrumento útil para obtenção de (duvidosas) confissões, as quais já desfrutaram de valor superior a qualquer outra prova.
O século XVII pode ser citado como um momento de desumanização, em decorrência das lutas por territórios da Idade Média e da própria necessidade de manutenção do poder através da força.
Dalmo de Abreu Dallari, entrando na discussão em torno da pergunta proposta por Maquiavel ainda em 1513, quando procurou saber se para um príncipe era melhor ser temido ou amado pelo povo, assim conclui:
Governantes sem legitimidade e sem escrúpulos, preocupados apenas com a preservação de seus privilégios, sem nenhuma possibilidade de serem amados, usaram amplamente o terror para manter o povo intimado e submisso. E o próprio povo, por sua ignorância, companheira inseparável dos preconceitos, muitas vezes colaborou para que seus dominadores usassem da violência" [01] (grifo nosso).
A razão também, muitas vezes, se confundiu com a fé. A doutrina de São Tomás de Aquino defendia que "a fé não teme a razão, mas a solicita e confia nela. Assim como a graça supõe a natureza e a leva à perfeição, assim também a fé supõe e aperfeiçoa a razão". [02]
De acordo com Valdir Sznick, A tortura, em sua evolução histórica, foi empregada, de início, como meio de prova, já que, através da confissão e declarações, se chegava à descoberta da verdade; ainda que fosse um meio cruel, na Idade Meia e na Inquisição, seu papel é de prova no processo, possibilitando com a confissão a descoberta da verdade. [03]
Foi a tortura, posteriormente, utilizada como pena (entre os antigos e romanos), bem como prova propriamente dita. Por fim, foi utilizada como satisfação, não só do crime cometido, mas, também, como meio de satisfazer os instintos baixos, em atos de verdadeiro sadismo. [04] Isso porque "a tortura tem em si uma conotação muito ligada ao sadismo; o sadismo supera o poder – que leva à tortura – e, ainda, à vingança. No fundo, o torturador é um sádico". [05]
Em estudo do tema, percebemos igualmente que o século XVIII foi um marco histórico, representando o momento em que a tortura passa a ser oficialmente restringida e abolida em praticamente todos os Estados, em decorrência da propagação das idéias iluministas.
Nos tempos mais atuais, raramente a tortura é empregada no combate aos criminosos e na perseguição ao delito, como antigamente, surgindo os tormentos como medidas de defesa da sociedade contra aquelas pessoas que são consideradas ameaçadoras para a sociedade, como os terroristas.
O que é interessante notar que quanto mais as legislações proibiram a tortura, mais era, na prática, utilizada, com objetivos dos mais diversos.
1.Tortura no mundo (texto completo no link http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8505 )
Zenit, 7 de junho de 2006
9- Estudioso de renome
mundial demonstra que o feto
experimenta dor
K.J. Anand o afirma na
revista «Pain Clinical Updates»
ROMA, quarta-feira, 7 de junho de
2006 (ZENIT.org).- O professor da
Universidade de Kansas K.J.S. Anand,
neonatologista de renome mundial,
acaba de publicar um estudo no qual
demonstra que um feto sente dor
inclusive antes do estado avançado
de gestação.
Anand publicou um artigo sobre o
tema no número de junho de 2006 de «Pain
Clinical Updates», a revista oficial
de «International Associação for the
Study of Pain» (Associação
Internacional para o Estudo da Dor),
que é considerada mundialmente a
fonte mais autorizada sobre o
assunto.
Seu estudo nasce da necessidade de
oferecer um ponto de referência,
afastado das polêmicas
partidaristas, porque «a dor fetal
tem tantas implicações que exige um
enfoque científico independente das
polêmicas sobre o aborto, direitos
das mulheres ou início da vida
humana», afirma Anand.
Graças aos estudos de K.J. Anand nos
anos oitenta, já foi demonstrado que
o recém-nascido podia experimentar
dor, pelo que se começou a difundir
a prática de ministrar morfina no
momento das operações cirúrgicas a
esses pequenos pacientes.
Anand começa seu artigo afirmando
que «os argumentos precedentes
contra a possibilidade da dor fetal
estavam baseados na imaturidade ou
na inibição dos neurônios corticais
e os estímulos tálamo-corticais no
feto, dado que estes elementos são
considerados essenciais para uma
percepção consciente da dor. Mas a
imaturidade ou a hipofunção dos
neurônios corticais não são em si
suficientes para obstruir a dor
fetal».
O autor inclui explicações sobre a
atividade e o desenvolvimento
neuronal e apresenta exemplos de
percepção sensorial consciente no
feto. Citando investigações
precedentes, afirma: «Em uma atenta
análise do comportamento fetal
baseado na aprendizagem e na
memória, como evidências da função
psicológica no útero, Hepper e
Shihidullah concluem que se dá uma
percepção consciente no feto».
Anand critica os trabalhos que
colocavam em dúvida a percepção da
dor pré-natal, baseando-se na
peculiaridade do sistema nervoso do
feto. «Estes trabalhos pressupõem
que a ativação cortical é necessária
para a percepção da dor pelo feto.
Este raciocínio ignora o dado
clínico de que a ablação do
córtex somatosensorial não altera a
percepção da dor nos adultos.»
Por isso conclui: «A evidência
científica mostra como possível e
inclusive provável que a percepção
da dor no feto comece antes do
período avançado de gestação».
«Nossos atuais conhecimentos sobre o
desenvolvimento - acrescenta –
mostram as estruturas anatômicas, os
mecanismos fisiológicos e a
evidência funcional da percepção da
dor que se desenvolve no segundo
trimestre, certo não no primeiro,
mas muito antes do terceiro
trimestre de gestação humana.»
Entrevistado pela agência Zenit
sobre o alcance científico desse
estudo, o professor Carlo Bellieni,
neonatologista do Departamento de
Terapia Intensiva Neonatal da
Policlínica Universitária «Le Scotte»
de Siena, comentou: «A evidência
científica sobre a dor do feto
encontra aqui uma exposição
sistemática por parte da máxima
autoridade mundial».
«A luta contra a dor de quem não
pode expressar-se acaba sendo
reforçada. Por outro lado, não se
pode sustentar que a criança
prematura de 500 gramas experimenta
dor, mas tampouco se pode dizer que
o feto do mesmo peso não o
experimenta só pelo fato de que está
ainda no útero», aponta.
ZP06060702

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