NOTÍCIAS DA DEFESA DA VIDA
04/03/2005

Células-Tronco

1- Câmara aprova Lei de Biossegurança - Brasil
2- Médica manifesta preocupação com uso de células-tronco - Brasil

  

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1- Câmara aprova Lei de Biossegurança
Valor Online 08:13 03/03
BRASÍLIA - Sob pressão de diferentes segmentos da sociedade, o plenário da Câmara aprovou ontem, por 352 votos favoráveis, 60 contrários e uma abstenção, o texto básico do projeto de lei 2401/2003, que cria a política nacional de biossegurança. A liberação de pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mantida no texto, tornou-se a grande polêmica do projeto, superando até mesmo o embate ideológico em torno do plantio e comercialização de alimentos transgênicos. O texto aprovado na Câmara mantém na íntegra a proposta do Senado.
Logo após a aprovação do texto básico, os deputados votaram um destaque (instrumento que tem como objetivo alterar a proposta original) que propunha a retirada do artigo 5 do texto, ou seja, a autorização para a pesquisa com células-tronco embrionárias fertilizadas " in vitro " . Todos os partidos, com exceção do Prona, encaminharam a votação contra o destaque, que foi rejeitado por 366 votos a 59, e três abstenções.
O projeto aprovado permite que os embriões congelados há mais de três anos - existem cerca de 30 mil no Brasil - sejam utilizados " para fins de pesquisa e terapia, desde que com o consentimento dos genitores e com a aprovação dos comitês éticos das instituições de pesquisa e serviços de saúde. A comercialização do material biológico é vedada pela lei. Também não há autorização para clonagem humana.
A pesquisa com células-tronco embrionárias contou com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e de cientistas do Projeto Genoma do Brasil. Vários integrantes de organizações não governamentais acompanharam a votação em plenário e pressionaram pela aprovação do artigo 5. A rejeição vinha de parlamentares e segmentos ligados às igrejas Católica e evangélicas, que consideram a pesquisa com embriões um " atentado à vida humana " . O argumento científico é que somente as células-tronco embrionárias podem transformar-se em qualquer tecido do corpo. Tais pesquisas alimentam esperança de portadores de doenças genéticas progressivas, hoje incuráveis, como mal de Parkinson, lesionados medulares e portadores de mal de Alzheimer.
Os deputados ainda votariam outros dois destaques ao longo da noite de ontem, que tinham o objetivo de reduzir os poderes da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Pelo texto original, a CTNBio tem poderes deliberativos, tanto para a pesquisa quanto para a liberação comercial de transgênicos.
O PT - especialmente a esquerda partidária -, em defesa dos interesses da ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, apresentou os destaques para tentar brecar os poderes da CTNBio. " O substitutivo do Senado dá superpoderes à CTNBio e retira atribuições importantes do Ministério do Meio Ambiente, entregando à comissão a decisão sobre se os projetos devem ou não ter licenciamento ambiental e sobre a necessidade de as matérias analisadas serem ou não submetidas ao Conselho Nacional de Biossegurança (de ministros) " , diz trecho do voto em separado assinado pela esquerda petista e que seria lido em plenário, como forma de protesto político.
Um dos destaques tentava impedir que os pareceres da CTNBio fossem vinculantes, ou seja, que prevalecesse sobre as exigências de estudo de impacto ambiental do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama. Se a CTNBio concluir que algum plantio pode degradar o ambiente, a própria comissão tem a prerrogativa de solicitar estudo de impacto ambiental. Se concluir que não causa dano e aprovar a liberação, os ministérios podem recorrer da decisão ao Conselho Nacional de Biossegurança, composto por 9 ministros. Esse recurso, no entanto, só é possível quando se tratar de comercialização de transgênicos. Nos casos de pesquisa, a CTNBio tem total autonomia.
O projeto aprovado ontem convalida todos os registros provisórios já concedidos pela CTNBio. Além disso, autoriza a produção e comercialização de sementes transgênicas de soja já registradas no Ministério da Agricultura.
(Maria Lúcia Delgado | Valor Econômico)

  

2- Médica manifesta preocupação com uso de células-tronco 
A votação da Lei de Biossegurança (PL nº 2401/03) ontem no plenário da Câmara mobilizou diversos setores da sociedade contra e a favor da proposta. A médica e pesquisadora da Escola Paulista de Medicina, Alice Teixeira Ferreira, manifestou preocupação com a liberação da pesquisa com células-tronco.

Para a médica, que também coordena o Núcleo Interdisciplinar de Bioética da universidade, as pessoas estão "emocionalmente envolvidas" com o debate. Na sua análise, o debate "está distorcido, levando à falsa expectativa de cura das doenças". Segundo Alice Teixeira, que esteve na Câmara prestando assessoria a parlamentares sobre o tema, "não há base cientifica" para se assumir compromisso de cura de doenças a partir da célula-tronco.

A principal aplicação da terapia de células-tronco seria em doenças crônico- degenerativas, que afetam principalmente pessoas na terceira idade. "Não sei qual o interesse nessa utilização das células embrionárias humanas na medicina regenerativa". Ela ilustrou que experimentos feitos em animais com essas células mostraram que em 50% dos casos foram formados tumores nesses animais, "o que demonstrou insucesso". Disse ainda que experimentos feitos na Rússia também geraram tumores. "Só temos conhecimento de experimentos negativos".

Para a deputada Angela Guadagnin (PT-SP), os meios de comunicação só apresentam resultados positivos a respeito do uso das células tronco. "Então o que está por trás disso?", questiona. A médica também concorda que os meios de comunicação não estão "dando o outro lado". Ela acredita que esta questão não é religiosa, mas ética. E salienta que o Código de Ética médica proíbe os médicos de prometerem "resultados milagrosos para os pacientes".

 

3- Bioética: Que implica a obtenção de células-tronco embrionárias?
Declarações da doutora Claudia Navarini
ROMA, quarta-feira, 2 de março de 2005 (ZENIT.org).- A extração de células estaminais [células-tronco] embrionárias, movida por interesses de pesquisa, não só não conduz a êxitos em experimentos, mas que «causa diretamente a morte dos embriões», alertou uma especialista em Bioética.
«O embrião é um ser humano, suscetível de direitos e dotado de dignidade pessoal», declarou a Zenit em dezembro passado a doutora Claudia Navarini, professora da Faculdade de Bioética do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (Roma), alertando do que se está falando exatamente quando se alude às células estaminais embrionárias.
Em um editorial de 24 de novembro passado intitulado «Estaminais requer sempre um adjetivo», o jornal italiano «Il Foglio» alertou de «uma estranha síndrome que afeta não poucos comentaristas e políticos italianos quando se fala de estaminais», que consiste em «emparelhar ritualmente à notícia dos êxitos em estaminais adultas a reprovação contra quem se opõe ao uso das estaminais embrionárias».
Para a doutora Navarini, esta «síndrome» se manifesta habitualmente de duas formas: «louvar, por cada resultado obtido com as estaminais de adulto, os resultados “possíveis” com as estaminais embrionárias», e «omitir sistematicamente o adjetivo “adultas”, deixando crer que toda pesquisa de êxito com as células estaminais refere-se às embrionárias».
O certo é que --constata--, «enquanto as estaminais embrionárias não deram resultados --por razões técnicas (e não econômicas)-- que são bem conhecidas à comunidade científica, a terapia com as estaminais adultas é uma reconfortante realidade que vai enriquecendo-se quase diariamente de novas descobertas e novas aplicações».
«Por que, então, quer-se enfatizar práticas que causam diretamente a morte dos embriões sem nenhuma “necessidade” de fazê-lo, dado que tais práticas não funcionam?».
Para a especialista, a razão está na «tendência cultural atualmente difundida que considera o embrião um objeto de consumo, cujas qualidades para o consumidor são adequadamente publicitadas», inclusive «as não-verdadeiras, como se tende a fazer “no mundo das coisas”».
«O objeto, de fato, não é tanto usar o embrião, mas poder usá-lo a bel-prazer, ou seja, favorecer em toda forma sua redução a “coisa”, produto».
Estaminais: embrionárias e adultas
Declara a doutora Navarini: «As células estaminais embrionárias são obtidas da massa celular interna do blastócito, ou seja, do embrião que tem 5-7 dias de vida e está formado por cerca de 140 células. Há que extraí-lo al menos 20-30, o que implica inevitavelmente a morte do embrião».
A fonte de obtenção de tal material «são os embriões que não se pretendem implantar no útero --explica--, as “sobras”, os defeituosos ou declarados em “estado de abandono”», que permanecem crioconservados.
Também --denuncia--, «há centros e pesquisadores que desejam a produção de embriões com fins de pesquisa, isto é, embriões criados a propósito para obter deles células estaminais», um objetivo para o que surgiu a chamada «clonagem terapêutica», «um inquietante desejo de clonagem do homem não destinada à reprodução de “cópias humanas”, mas a preparar “reservas” de células estaminais para vários usos terapêuticos».
Mas «não se trata somente de células, como se quer fazer crer, mas de minúsculos seres humanos programados para a destruição», alerta a doutora Navarini.
Sem embargo, nem dos abortos espontâneos (ou provocados) nem de prematuros se obtêm células estaminais embrionárias, porque nestes casos «se trata de embriões mais crescidos, nos quais as células estaminais são de um tipo diferente das denominadas precisamente “embrionárias”», afirma.
De acordo com a especialista, «as células estaminais são células indiferenciadas, capazes de transformar-se em células especializadas pertencentes a diferentes órgãos e tecidos. O grau de possível diferenciação é, no entanto, variável: o blastócito de 50 células é ainda totipotente, ou seja, suas células estão totalmente indiferenciadas, até o pondo de que uma delas, multiplicando-se como faz o zigoto --a primeira célula do novo organismo-- pode reconstruir um indivíduo inteiro. No organismo já formado, já seja um embrião “maior” (das oito semanas em diante a embriogênese está completa!), um feto, um neonato ou um ancião, existem células estaminais pluripotentes --isto é, capazes de dar origem a todo tecido, mas não ainda a um indivíduo inteiro-- e multipotentes, capazes de regenerar alguns tecidos».
«Já que existe uma certa proporção entre velocidade de crescimento corporal e quantidade de células estaminais, no embrião e no feto --que cresce muito velozmente-- estas são mais numerosas que no homem mais desenvolvido. Todas, em qualquer caso, entram na categoria das células estaminais “adultas”», acrescenta.
Por isso, «as células estaminais obtidas dos abortos espontâneos, do cordão umbilical, da placenta ou de sedes corpóreas específicas onde se conservam por toda a vida --como o sangue, os ossos, o cérebro, o pâncreas-- não são as estaminais embrionárias, mas, insistamos, as “adultas”», declara.
Panorama legislativo internacional
A situação legislativa em tema de células estaminais varia de um país a outro, constata a doutora Navarini. «O Conselho da Europa, na Convenção de Oviedo sobre os direitos humanos e a biomedicina (1997), proibiu toda forma de clonagem humana, e reforçou na assembléia parlamentar do passado 23 de outubro a proibição de constituir embriões humanos com fins de pesquisa», recorda.
Mas em um «incendiado clima de debate», recentemente a União Européia «aprovou indicativamente o destino de fundos para a pesquisa em células estaminais derivadas de embriões sobrantes, cuja produção não deve incentivar-se ainda», continua. Reconhece, em qualquer caso, um «vivo desacordo» entre os Estados membros.
Nos Estados Unidos, há que diferenciar «entre a postura oficial da administração federal e regulamentações de cada Estado, que dispõem de ampla liberdade jurídica» --sublinha--: «o presidente Bush revogou em 2001 o financiamento federal para a criação e a utilização de embriões com fins de pesquisa, reservando-a unicamente à pesquisa que emprega as linhas celulares estaminais já existentes»; ademais, «está em marcha uma lei --Human Cloning Prohibition Act-- que proíbe toda forma de clonagem humana».
Quanto aos Estados individualmente considerados, há os que aprovaram leis específicas que, «separando-se das indicações federais, consentem o uso dos embriões crioconservados» inutilizados, como é o caso de Nova Jersey e de Massachussets. Mediante referendo, a Califórnia aprovou no dia 2 de novembro a pesquisa em células estaminais embrionárias.
«Nos Estados europeus e extra-europeus que não legislaram sobre a questão, as posturas estão diversificadas, mas se vai freqüentemente na direção de uma impunidade das práticas de pesquisa de experimentação», de forma que, «para que os embriões sejam tutelados de uma maneira digna de um ser humano, é indispensável que se ativem medidas explicitamente restritivas», alerta a doutora Navarini.
De fato, «tal inversão de tendência requer uma ação cultural capilar que parte das pessoas, isto é, das famílias, associações», centros de formação etc. Trata-se de um trabalho no qual, na prática, «todos estamos implicados», a fim de que «a lógica do útil deixe o lugar à lógica da verdade e do amor», conclui.
ZP05030215

 

4- Bioética: «Células-Tronco: Verdadeiras e falsas esperanças»
BRASÍLIA, quarta-feira, 2 de março de 2005 (ZENIT.org).- Reproduzimos a seguir texto assinado por Alice Teixeira Ferreira, Professora Associada de Biofísica da UNIFESP/EPM na área de Biologia Celular - Sinalização Celular, e Paulo Silveira Martins Leão Junior, Presidente da União dos Juristas Católicos RJ, sobre o tema das células-tronco.
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CÉLULAS TRONCO - VERDADEIRAS E FALSAS ESPERANÇAS

Está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei de Biossegurança (PL 9/2004), que foi recentemente votado no Senado Federal e que voltará à apreciação da Câmara dos Deputados.
Um dos pontos que mais polêmica tem causado é o da permissão, dentro de certas condições, da utilização de células tronco embrionárias para pesquisas objetivando a cura de doenças graves, para as quais a suposta terapia com as células tronco embrionárias humanas seria a única ou a última esperança. Em razão desse pressuposto, que é falso e sem nenhuma base científica, como se demonstrará adiante, busca-se afastar os gravíssimos empecilhos éticos de se matar, destruir um ser humano para fins de pesquisas. Os obstáculos éticos e jurídicos são insuperáveis, pois não é lícito nem admissível matar alguém para valer-se de seu corpo, ainda que com finalidade boa. Objetivando encobrir tal realidade, tem havido grave falseamento da verdade quanto ao atual estágio das pesquisas com as células tronco embrionárias humanas, com as quais não se tem obtido qualquer êxito que aponte para a cura de doenças, nem mesmo com ratos e camundongos. Ao contrário, nesses animais, que são imunodeprimidos induzidamente para que possa ocorrer a pega dos transplantes, são produzidos, em 50% dos casos, teratomas, ou seja, tumores, quando neles são implantadas células tronco embrionárias humanas.
O que existe de concreto do ponto de vista estritamente científico são progressos altamente promissores nas pesquisas com as células tronco adultas humanas (aí incluídas as células tronco encontradas no cordão umbilical), com as quais já se obteve resultados efetivos de curas parciais e totais com seres humanos, e isso em, escala crescente e cada vez mais abrangente.
Todavia, por desinformação e/ou em razão de interesses não revelados não tem sido divulgado, no mais das vezes, de modo adequado e preciso, essas informações, mas, ao invés, tem se veiculado informações confusas, em que se atribui a cura de doenças decorrentes da utilização de tratamento células tronco adultas a células tronco embrionárias humanas.
Exemplo muito claro disso foi o editorial de 11 de outubro de 2004 de um dos jornais de maior circulação em nosso país, em que se manifestava a favor da votação do Projeto de Lei nº 9/2004, no Senado Federal, no sentido da liberação das pesquisas com células tronco embrionárias humanas, afirmando que :
“ . . . os deputados certamente serão sensíveis aos argumentos a favor da liberação das pesquisas com células tronco embrionárias, que se tornam particularmente convincentes na medida em que a terapia vai se tornando realidade, como no caso do menino italiano que foi curado de uma forma grave de anemia.
( . . .)
. . . é uma dura realidade o sofrimento das vítimas de tantas doenças para quem essa terapia é a última esperança.”
Cabe aqui referir que a notícia disponível no meio médico especializado é no sentido de que a anemia, designada por “anemia de Fanconi”, vem sendo tratada, desde 2001,. pelo Dr. Pasquini, com células tronco de cordão umbelical, que são células tronco adultas. Não se conhece, repita-se, qualquer relato científico de cura com células tronco embrionárias humanas.
O mesmo argumento de uma cura supostamente próxima ou à vista, embora com menos ênfase é utilizado pelo Jornal do Senado, edição do dia 11 de outubro de 2004, disponível no site do Senado Federal:
“Depois de longo debate, o Senado aprovou o projeto da Lei de Biossegurança que autoriza . . . o uso de células-tronco de embriões congelados há mais de três anos e que não seriam utilizados em processo de fertilização. Essas células têm a propriedade de transformar-se em diferentes tecidos do corpo humano e representam a esperança de cura para muitas doenças.”
As manifestações dos Senadores sobre o assunto, sinteticamente reproduzidas na p. 4 do Jornal do Senado, edição de 11 de outubro de 2004, demonstram que os Srs. Senadores fundamentaram seus votos sobre a matéria na suposição de cura para doenças degenerativas graves a partir da pesquisa com as células tronco embrionárias humanas, o que, como visto, não corresponde à realidade dos trabalhos científicos correspondentes, certo, ao invés, que as pesquisas com as células tronco adultas têm demonstrado evidência científica quanto a cura de várias doenças graves.
São muitos e crescentes os estudos demonstrando o êxito de pesquisas com células tronco adultas (dentre as quais se classificam as células tronco do cordão umbilical e da placenta), na cura de diversas doenças graves, recuperando tecidos ou órgãos lesados, dentre os quais tecido muscular, restauração de determinadas capacidades regenerativas de tecidos. A norte-americana Nadia Rosenthal, coordenadora do Programa de Camundongos do Laboratório Europeu de Biologia Molecular - EMBL, em Monterotondo, na Itália, comunicou a existência de estudo demonstrando que as células tronco adultas podem ser utilizadas para atingir a regeneração em grande escala de um tecido danificado. O trabalho foi desenvolvido em colaboração com a equipe do italiano Antonio Musarò, professor de Histologia e Embriologia da Universidade de Roma. Ao investigar tecidos musculares em camundongos, os cientistas já haviam descoberto que as células tronco adultas percorrem grandes distâncias até alcançar uma determinada área lesionada. O trabalho dos pesquisadores europeus, porém, chegou a uma nova constatação: "As células que observamos passaram por todas as etapas típicas de especialização antes de se tornarem totalmente integradas ao novo tecido", disse Nadia Rosenthal.
Isso afasta as principais críticas dos que pretendem usar células tronco embrionárias humanas em razão de supostas limitações nas utilizações de células tronco adultas, que proliferam adequadamente.
Além disso, deve ser mencionado um outro caminho de cura, recentemente descoberto, por meio do aprofundamento do conhecimento das células, como demonstra o relato publicado na Revista Science de 8 de outubro de 2004, vol. 306: 239-240, em que se utilizou hormônios/fatores responsáveis pela proliferação e plasticidade celulares para resolver a distrofia genética cardíaca.
Quanto às células tronco embrionárias humanas, repita-se, não há nenhum estudo comprovando qualquer cura com a sua utilização ! Ao invés, os estudos disponíveis demonstram claramente que a implantação de CÉLULAS TRONCO EMBRIONÁRIAS HUMANAS, geram TERATOMAS, ou seja, TUMORES, podendo levar à morte. São tantos os problemas graves e não solucionados com as pesquisas de células tronco embrionárias humanas, que elas se restringem a RATOS e ROEDORES e estão muitíssimos estágios atrás das pesquisas com células tronco adultas, NÃO TENDO, MESMO EM EXPERIÊNCIAS COM RATOS E CAMUNDONGOS, ALCANÇADO QUALQUER RESULTADO RELATADO E COMPROVADO QUE APONTE PARA EFETIVIDADE DE CURA, pois mesmo quando se consegue obter linhagem de células, elas vêm inseridas em teratomas, ou seja, tumores (vide por exemplo, o artigo ”Evidence of a Pluripotent Human Embryonic Stem Cell Line Derived from a Cloned Blastocyst”, publicado na Revista Science vol. 303, de 12 de março de 2004) e mesmo os defensores de sua utilização projetam eventuais resultados positivos (no momento não há nenhum, mas tão somente expectativas, sem evidência científica) para longo prazo, “na melhor das hipóteses” (vide a propósito a reportagem publicada na Revista “Nature”, vol. 430, de 19 de agosto de 2004, p. 817).
De tudo isso, pode se afirmar que não correspondem à realidade as afirmações relativas a existência de curas, ou mesmo perspectiva ou esperança de cura com base em evidência científica, a partir da utilização de células tronco embrionárias humanas. Ademais sempre será inadmissível matar um ser humano para aproveitar-se seu corpo ou parte dele, que é o que ocorre com a utilização das células tronco embrionárias, mesmo que com a finalidade de pesquisa objetivando suposto futuro benefício para a saúde de outrem, para a qual, aliás, os especialistas supõe um longo prazo, “na melhor das hipóteses”. Por outro lado, são muitos e crescentes os artigos relatando e comprovando experiências de curas com as células tronco adultas humanas (aí incluídas as células tronco do cordão umbilical e placenta) em variadas aplicações, estando o Brasil adiantado em tais pesquisas, que devem ser incentivadas pois apontam para efetivos e expressivos benefícios para a população.

São Paulo e Rio de Janeiro, em outubro de 2004.
ALICE TEIXEIRA FERREIRA
Professora. Associada de Biofísica, da
UNIFESP/EPM, na área de Biologia Celular -Sinalização Celular

PAULO SILVEIRA MARTINS LEÃO JUNIOR
Presidente da União dos Juristas Católicos RJ
ZP05030216
   
5- Bioética: Intervenção do observador da Santa Sé na ONU sobre a clonagem
NOVA YORK, terça-feira, 2 de março de 2005 (ZENIT.org).- Reproduzimos a seguir, diante do debate sobre células-tronco que acontece no Parlamento do Brasil estes dias, a intervenção que o observador permanente da Santa Sé na Organização das Nações Unidas, o arcebispo Celestino Migliore, pronunciou no mês de outubro passado ante a 6ª Comissão da Assembléia Geral da ONU sobre o ponto 150: «Convenção Internacional contra a clonagem reprodutiva de seres humanos».
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Senhor presidente:
A clonagem humana esteve na agenda das Nações Unidas desde finais de 2001.
Desde o princípio pareceu claro que, apesar do título desta questão da agenda, «Convenção Internacional contra a clonagem reprodutiva de seres humanos», o propósito desta atividade foi de fato encontrar um marco jurídico que permitisse e acelerasse o avanço da ciência médica na obtenção e utilização de células estaminais, e identificar e proibir as práticas que fossem desrespeitosas para com a dignidade humana».
Desde um ponto de vista puramente científico, o progresso terapêutico já conseguido com as chamadas células estaminais adultas, isto é, células estaminais da medula óssea, do sangue do cordão umbilical e de outros tecidos adultos, parece muito promissor. A clonagem de embriões, por sua parte, está ainda muito longe de aportar o progresso que sugerem seus partidários. Ainda está por ver um êxito clínico certo na utilização de células estaminais embrionárias clonadas inclusive na experimentação com animais. O trabalho que faria seguro experimentar desta maneira em seres humanos poderia levar muito tempo, e estes obstáculos podem nunca ser superados.
Mais ainda, a distinção que às vezes se quer traçar entre a clonagem reprodutiva e a terapêutica é enganosa. Ambas implicam o mesmo processo técnico de clonagem e diferem só no objetivo. As duas formas de clonagem implicam falta de respeito com a dignidade do ser humano. De fato, desde um ponto de vista antropológico e ético, a chamada clonagem terapêutica, ao criar embriões humanos com a intenção de destruí-los, inclusive se for empreendida com o objetivo de ajudar possivelmente enfermos no futuro, é claramente incompatível com o respeito à dignidade do ser humano, porque faz de uma vida humana nada mais que um instrumento de outra.
Também, dado o fato de que os embriões clonados seriam indistinguíveis de embriões criados por fertilização “in vitro” e poderiam ser implantados em úteros e levados ao nascimento, cremos que seria praticamente impossível impor um instrumento que permitisse um tipo de clonagem e proibisse o outro.
Se a pesquisa em células adultas já demonstrou condições de êxito e não propõe questões éticas, é razoável que se prossiga com ela antes que a ciência se embarque na clonagem de embriões como fonte de células estaminais, algo que continua sendo problemático tanto cientificamente como eticamente.
Significa que nos opomos ao progresso científico? Mas diríamos que a eleição não é entre ciência e ética, mas entre ciência que é eticamente responsável e ciência que não o é. Milhares de vidas foram salvas por células estaminais adultas, a maior parte no tratamento de leucemia e outros tipos de câncer. Fundamentada evidência científica estabeleceu que os transplantes de células estaminais adultas são seguros, e os resultados preliminares sugerem que poderão ajudar pessoas com enfermidade de Parkinson, lesões medulares, danos cardíacos e muitas outras situações. O perigo é que este progresso para os tratamentos se detenha ou reduza seu andamento por desviar a atenção e os recursos para a clonagem de seres humanos como uma fonte potencial de células estaminais.
Senhor presidente: minha delegação queria concluir suas observações com duas indicações finais. Em primeiro lugar, este Comitê e a Assembléia Geral parecem ser o foro adequado para nossas deliberações, devido ao fato de que as questões que giram em torno à clonagem de embriões humanos não conhecem fronteiras geográficas, culturais ou temporais. Mas, o que é mais importante, a matéria desta particular busca científica afeta a natureza e a existência da vida humana em si mesma. Portanto, uma ambiência que é supranacional tem o alcance adequado para abarcar toda a amplitude desta questão. Este tema --de interesse vital para a raça humana no presente e no futuro-- bem pertence a este ambiente universal.
Em segundo lugar, estamos convencidos de que o tema da clonagem de embriões humanos se pode enfrentar melhor com instrumentos jurídicos, já que o papel do direito é essencial para a promoção e proteção da vida humana. É com o papel da lei, baseada na justa razão, que as sociedades podem regular adequadamente o que parece desafiar nossas noções fundamentais de vida humana e dignidade. Neste contexto, senhor presidente, minha delegação baseou o documento informativo, ao que se fez referência, na lógica da justa razão e não em crenças religiosas.
Em conclusão, a Santa Sé está convencida do acerto de um instrumento jurídico internacional que de forma exaustiva proíba a clonagem de embriões humanos.
Obrigado, senhor presidente.
ZP05030217

  
6- Victoria pro-vida: ONU emite declaración contra todo tipo de clonación humana

NUEVA YORK, 18 Feb. 05 (ACI).-En una monumental victoria para el movimiento pro-vida mundial, la Organización de las Naciones Unidas (ONU) emitió hoy una declaración condenando todo tipo de clonación humana.  La ONU exhorta a todos los estados miembros a adoptar una legislación que prohíba este procedimiento, con fines reproductivos o terapéuticos, por ser “incompatible con la dignidad humana y la protección de la vida de la persona humana”.

Un representante de Costa Rica –país que lideró el esfuerzo para prohibir la clonación– indicó que la declaración es un éxito para todos aquellos que buscan promover la investigación científica ética.

En la misma línea, Austin Ruse, presidente del Catholic Family and Human Rights Institute (C-FAM), uno de las principales ONGs involucradas en la negociación, declaró que ”éste es un poderoso mensaje para el mundo: La clonación humana es moralmente cuestionable y está fuera de los límites de lo que puede considerarse aceptable en la experimentación”.

”Al adoptar esta declaración la comunidad internacional se une para condenar la clonación humana como no-ética y explotadora del hombre. Esto debe alentar prohibiciones similares en las leyes nacionales, incluyendo al Senado de los Estados Unidos”, señaló Ruse.

La declaración, introducida hoy por Honduras, llegó en el último día de conversaciones sobre la materia. La declaración permite que todos los países unifiquen criterios a pesar de las opiniones encontradas durante la semana y marca también el fin del silencio de tres años en los que la ONU no emitió una declaración formal oficial sobre la clonación humana.

Así fue la votación

Los países se dividieron entre los que se oponen a todo tipo de clonación humana y reclamaban definir al hombre como “vida humana” y los que utilizaban el término “ser humano” -en la declaración- para permitir la clonación terapéutica.

El primer bloque estuvo liderado por Costa Rica, Uganda y Estados Unidos, mientras que países como Bélgica, Singapur y el Reino Unido, insistieron hasta el final en permitir la llamada clonación terapéutica.

La intención de referirse al hombre como “vida humana” buscó evitar las legislaciones internacionales que protegen solamente a las personas nacidas. Definir la prohibición a partir del hombre como “ser humano” permitiría investigar y destruir embriones, que varias legislaciones no consideran seres humanos.
La declaración pide a los países prevenir la “explotación de la mujer”, a través de procedimientos en los que se extraen óvulos para investigaciones de científicos de países desarrollados que utilizan a mujeres de países pobres como “despensas biológicas baratas”.

El documento sirve también para instar a los países con mayores recursos económicos a financiar programas que combatan el SIDA, la tuberculosis y la malaria, en vez de conceder millonarios fondos a la clonación.  También condena la aplicación de la ingeniería genética que amenaza la dignidad humana.

Con esta declaración de la comunidad internacional agrupada de la ONU se establece un estándar internacional que envía una señal muy clara a los países que alientan la clonación humana.  

 


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