Dia de Celebrar a Vida


"Antes que fosses formado no ventre de tua mãe,
Eu já te conhecia..." (Jeremias 1,5)


Essa iluminação do salmista, milhares de anos antes que a pesquisa genética afirmasse que nosso "eu", nosso código genético, é definido nos primeiros instantes de nossa existência, deveria dissolver qualquer dúvida quanto à necessidade de se defender o direito à vida em todo o seu ciclo vital. O dia pelo Direito à Vida visa a lembrar-nos esse empenho. Próximo ao Dia da Criança, chama-nos a atenção para a criança que ainda não se vê, embora sinta e se manifeste de várias maneiras, brinque, se alimente e flutue no líquido amniótico, aguardando o momento de passar para o mundo externo.
Quanto mais avançam os conhecimentos científicos, mais sabemos do "milagre" da vida e do modo de viver do ser humano escondido no aconchego do ventre materno. O segredo desta vida escondida não existe mais.

Através da ecografia podemos ver em cores e relevo seu coração batendo, seus órgãos se constituindo, suas formas se moldando. Sem que lhe seja feito nenhum mal, podemos ver o bebê crescendo (doutora Marie Odile Rethoré).

A fetoscopia permite realizar exames e fazer diagnósticos. Essa incrível tecnologia pode trazer inúmeros benefícios à criança ainda não nascida ou ser para ela uma catástrofe, se o diagnóstico pré-natal servir para decretar quais os bebês que terão o direito de serem acolhidos por nós, obedecendo à finalidade da medicina, que é a de curar e salvar vidas, ou os "descartáveis", porque não obedecem aos padrões de normalidade. Apesar de toda a ignomínia que se comete contra a vida, apesar de concebida muitas vezes em condições adversas, apesar da banalização da violência em todos os sentidos e em todos os estágios, apesar das subumanas condições de viver, é preciso celebrá-la como um dom. E, por ser dádiva, precisa ser defendida, tanto mais defendida quanto mais frágil for.

Essa incrível tecnologia pode trazer
inúmeros benefícios à criança


Precisamente a vida indefesa e que ainda não nasceu precisa da proteção especial da sociedade, que n
ão pode torná-la excluída, nem depois, nem antes do nascimento. Jamais permitir que seja silenciada pelos mais fortes, sejam quais forem as justificativas. Todas as motivações que sugerem o seu precoce extermínio precisam das vozes que bradam pelos direitos humanos, pois é inconcebível esquecer esses direitos justamente diante da vida mais indefesa. Por ser a vida humana uma dádiva e por vivermos num tempo no qual "nunca a vida humana desceu a preço mais vil", a celebração da vida, o "gracias a la vida", deve nos conduzir com urgência a um trabalho eficaz e permanente por condições de vida dignas para todos.


HELENA HOFMEISTER MARTINS COSTA
ex-Presidente Movimento em Defesa da Vida de Porto Alegre


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