Essa iluminação do salmista, milhares de anos antes que a pesquisa genética
afirmasse que nosso "eu", nosso código genético, é definido
nos primeiros instantes de nossa existência, deveria dissolver qualquer
dúvida quanto à necessidade de se defender o direito à vida em todo
o seu ciclo vital. O dia pelo Direito à Vida visa a lembrar-nos esse
empenho. Próximo ao Dia da Criança, chama-nos a atenção para a criança
que ainda não se vê, embora sinta e se manifeste de várias maneiras,
brinque, se alimente e flutue no líquido amniótico, aguardando o momento
de passar para o mundo externo.
Quanto mais avançam os conhecimentos científicos, mais
sabemos do "milagre" da vida e do modo de viver
do ser humano escondido no aconchego do ventre materno. O
segredo desta vida escondida não existe mais.
Através da ecografia podemos ver em cores e relevo seu coração batendo,
seus órgãos se constituindo, suas formas se moldando. Sem que lhe seja
feito nenhum mal, podemos ver o bebê crescendo (doutora Marie Odile
Rethoré).
A fetoscopia permite realizar exames e fazer diagnósticos.
Essa incrível tecnologia pode trazer inúmeros benefícios
à criança ainda não nascida ou ser para ela uma catástrofe,
se o diagnóstico pré-natal servir para decretar quais
os bebês que terão o direito de serem acolhidos por nós,
obedecendo à finalidade da medicina, que é a de curar e
salvar vidas, ou os "descartáveis", porque não
obedecem aos padrões de normalidade. Apesar de toda a
ignomínia que se comete contra a vida, apesar de
concebida muitas vezes em condições adversas, apesar da
banalização da violência em todos os sentidos e em
todos os estágios, apesar das subumanas condições de
viver, é preciso celebrá-la como um dom. E, por ser dádiva,
precisa ser defendida, tanto mais defendida quanto mais
frágil for.
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